27 maio 2014

Y= azul

Há dias, estava a vestir ao Francisco um casaco da Zippy que tem um Z de um lado do fecho e um Y do outro. Com sempre faz quando vê letras e números, disse logo: "É um zê!", eu perguntei-lhe: "E esta?", apontando para o Y, não esperando que ele respondesse. Ele ficou calado uns segundos e depois diz:"é a axui (azul)!". Eu fiquei: "Como?! Azul, qual azul?". E ele, prontamente: "Do Noddy, mamã, é a axui do Noddy!". Fui verificar nuns livrinhos do Noddy que andam lá por casa, porque não fazia ideia do que é que ele estava a dizer.

E não é que é mesmo?!

26 maio 2014

O "xusto"

O Francisco esteve doente esta semana, febre alta, diagnóstico: aginas. Tem andado a comer mal, o que, a juntar à sua preguiça natural, fez com que andássemos a dar-lhe a comida à boca com mais frequência.
No sábado à noite, estando plenamente recuperado, não se justificava, mas o fulaninho começa com a  manha: "Axudas-me?" e a recostar-se na cadeira e a conversar com a irmã, mil e uma distracções e nada de comer, até que o pai lhe ralha: "Põe-te já direito, pega na colher e vamos a comer tudo num instante!" num tom de voz zangado que raramente usa (quem berra sou eu!). O Francisco não diz piu, pega na colher e faz-se à vida. Daí a 5 minutos, pergunto-lhe: "Então, estás a comer?" e ele responde, com uma expressão de "Pudera!": "Xim, o papá deu um xusto!"!
Só visto, o que nós nos rimos!
 
(tanta coisa assim que eu não ando a registar aqui...)

Depois da tempestade...

Foi um fim de semana calmo qb, a solução é mesmo sair de casa com eles, não faço nenhum em casa mas, pelo menos, o pai dorme descansado e eu não me enervo. Muitos mimos, compras com as meninas e um stock considerável de elásticos para as benditas pulseiras da moda, e temos um domingo pacífico. Espero que assim se mantenha pela semana dentro.

24 maio 2014

Ganda besta!

Sou eu mesma. Uma besta bem quadrada que teve um final de dia a condizer com o seu grau de bestialidade.
São 5 e meia, hora de sair. Acabei de falar com o marido, vou directa ao shopping para compras algo urgentes e ele já está em casa a orientar os pequenos. Dou uma vista de olhos pelas máquinas antes de ir embora, maldita hora o fiz, uma delas está a dar resultados disparatados e não pode ficar assim para o fim-de-semana. Segue-se mais de uma hora ao telefone com o técnico a dar indicações para diagnosticar e resolver a avaria. Mexe-se, reme-se, ler umas amostras, a coisa parece orientada mas sem grandes certezas. Já não vou às compras que queria, encho o saco. Acabo por sair quase às 8 e meia a voar porque o sítio onde vou comprar pão para o marido levar à noite está quase a fechar. Graças a isso, ainda ouço "sabonete" da chefe por não lhe ter dado feedback da situação antes de sair. O saco enche mais. Chego a casa quase às 9 da noite e levo "patadinha" do marido, que já não vai dormir tanto quanto devia antes de ir trabalhar, vai trabalhar as próximas 3 noites seguidas. Mais um pouco para o saco. Com os garotos, começa o ritual/massacre habitual nos fins de semana deste turno: "Chiu, não façam barulho! Falem baixo, o papá está a dormir, precisa de descansar!", repetido a TODOS, TODOS os minutos. O saco está cheio, quase a rebentar.
A Camila vem fazer queixas da Mafalda estar a preparar um "esquema" para me enganar na casa-de-banho. Ralho-lhe que não quero queixinhas cá em casa. A Mafalda tem sido apanhada várias vezes a mentir, especialmente sobre a sua higiene, se já se lavou, se lavou os dentes, diz que sim sem o ter feito . Confronto a Mafalda e ela nega o que a irmã me disse. Leva um estalo e mais outro porque continua a negar, já vejo tudo vermelho. Chamo a Camila e confronto-a, o que é que ela tinha visto em concreto, afinal. Não viu tudo o que me disse, viu uma parte e a outra inventou, pintando o quadro o mais negro possível para eu me passar com a irmã. Levou também e disse-lhe que era má, mesmo má, que não tinha coração. E o saco explode.  Desabo. Eu deveria ter tido o discernimento de avaliar a situação, de não me deixar levar pela fúria, eu é que sou a adulta. Choro de dor, de culpa. O Francisco passa a mão na minha cara e diz "xá passou!", aperto-o num abraço onde procuro consolo. Chamo as minhas filhas e envolvemo-nos num abraço a 4,  enxugo as minhas lágrimas nos seus cabelos e repito, sem parar, declarações de amor aos 3 e pedidos de perdão.
Falho tanto, tantas vezes. Por vezes, sou uma grande besta.

(post a reler muitas vezes para não me esquecer do que me está a roer por dentro neste momento)